domingo, 11 de dezembro de 2016

Livro Maria do Sol: Cap 02


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II
A Fazenda


Na entrada principal da fazenda, havia um grande portão; logo após, circulando o caminho para a passagem dos carros e pessoas, havia uma sequência de eucaliptos os quais iam até uns dez metros da casa. Estando de costas para a entrada com os eucaliptos e de frente para a casa, via-se na lateral esquerda uma enorme piscina e, próximo a ela, uma pequena para as crianças e um parquinho. Havia também um puxadinho da alegria, como o chamavam, e no qual havia uma churrasqueira, as mesas, as cadeiras e uma sinuca. Na lateral direita, via-se a entrada para os currais dos animais da fazenda. Por trás da casa, a uns duzentos metros de distância, passava um riacho. O local era o sonho de aposentadoria de Seu Felinto, esposo de Dona Carlota, uma senhora meiga, de cabelos negros e cortados na altura do ombro, olhos claros e pele morena.

Seu Felinto, um senhor de olhos e cabelos castanhos, pele branca, alto e apaixonado pela vida no campo. Ele cresceu no campo, os pais eram lavradores. Quando jovem, foi morar na cidade e cursou Agronomia. Passou num concurso público para engenheiro agrônomo, foi quando conheceu Dona Carlota. Ela era prima de um dos seus amigos do trabalho. Certo dia, numa festa, o amigo a apresentou. Felinto se encantou com a moça. O dois namoraram três meses e logo se casaram. Ele trabalhou muito até se aposentar. Sempre muito regrado, fez muitas economias. Depois da aposentadoria, resolveu comprar uma propriedade próxima a um vilarejo de pescadores e construiu sua fazenda dos sonhos. Seu Felinto se mudou com a esposa e deixou o filho Vicentinho na cidade estudando Contabilidade.
Vicentinho era magro, alto, pele morena, cabelos e olhos castanhos. Vestia-se sempre elegantemente e, mesmo jovem, já tinha um semblante um pouco fechado. No curso, o rapaz conheceu Sofia, uma jovem magra, de altura mediana, cabelos pretos e longos, olhos verdes, pele clara e um belo sorriso, que encantava a todos que dela se aproximavam. Os dois se conheceram logo no início do curso e começaram a namorar. Seu Felinto aconselhava muito o filho para não se casar cedo, pois devia buscar primeiro seu lugar ao sol. Dizia sempre para o filho: “A vida é difícil e a família deve ser construída quando já se está estabilizado financeiramente”.
Quando Seu Felinto e Dona Carlota, depois da mudança para a fazenda, foram visitar pela primeira vez o filho na cidade tiveram uma surpresa.
Blin Blong! Tocaram a campainha. Ninguém atendia.
Meu Deus! Felinto, onde será que este menino foi? Disse Dona Carlota, pois ela e o esposo já estavam estressados com a demora de Vicentinho em abrir a porta.
Blin Blong! Blin Blong! Blin Blong!
Um vizinho, vendo o casal na porta do apartamento, os indagou-lhes:
Bom dia! O senhores querem alugar o apartamento?
Não. Nosso filho mora aqui disse Dona Carlota.
Já foi alugado?
Faz tempo!
Me desculpem, eu não percebi que já tinham alugado.
Nós morávamos na cobertura deste prédio, mas, como fomos morar na fazenda, alugamos este apartamento para nosso filho morar. Eu não me lembro de você. Você mora aqui faz muito tempo? Disse Felinto.
Ah! Desculpem-me. Eu me mudei para este prédio faz uns seis meses. Então vocês são os pais do Vicentinho?
Sim, somos. Seu Felinto responde.
O Vicentinho era um ótimo vizinho! Gente boa! Mas ele se mudou para o prédio lá no fim da rua. O prédio que fica em frente à Padaria Pão Docinho.
Quando?
Já faz uns três meses que eles se mudaram. Até agora o apartamento não foi alugado. Por estes tempos está difícil conseguir alugar apartamento.
Eles? Até onde eu sei meu filho mora sozinho Seu Felinto fala assustado.
Desculpe. A Sofia passava uns dias com ele aqui. Mas não era todo dia.
Como? Explique-me direito Felinto fala surpreso com a notícia, afinal ele sempre aconselhou o filho sobre a união só depois de ter construído um patrimônio.
Vamos, meu amor. Vicentinho vai nos explicar. Dona Carlota, que desconfia que algo está errado, chama logo o marido para ir ver o filho. Ela já desconfiava que a namorada estava morando com o filho, pois, sempre que ligava para o filho, sentia que ele tinha algo para contar, mas hesitava.
Eu sabia que o Vicentinho ia aprontar. Aproveitou que passamos tanto tempo organizando a fazenda, sem vir aqui e foi logo colocando a namorada para morar junto diz Felinto.
Eles chegam ao novo apartamento, falam na portaria e sobem. Quem os recebe é Sofia, pois Vicentinho estava no banho. Para a surpresa dos dois, a moça já estava com um barrigão de gravidez. Eles se cumprimentam, e Dona Carlota logo a indaga:
Quantos meses, minha filha?
Me desculpem! Eu avisei para Vicentinho avisar vocês. A moça sorri meio desconcertada e pergunta:
Como vocês chegaram aqui?
Um novo morador lá do prédio que ele morava nos deu o endereço, ou melhor, que vocês moravam disse Seu Felinto.
Não se preocupe, Sofia. O que foi feito está feito. Felinto, o passado é um abismo que se abre e não temos como voltar, não é verdade? Dona Carlota fala para Felinto, mas, ao perceber que Sofia ficou desconcertada, tenta descontrair Me diga quantos meses tem esta barriguinha?
Oito meses.
É por isso que ele sumiu. Era só o que faltava diz Seu Felinto ainda surpreso.
Calma, Felinto! – Diz Dona Carlota.
Vamos sentar. Eu vou chamar o Vicentinho.
Os pais sentam e aguardam o filho aparecer. Vicentinho demora um pouco, pois se prepara para encarar seu pai. Enquanto isso, na sala, Dona Carlota tenta convencer Felinto de que eles não têm mais como mudar os acontecimentos:
Felinto, agora é apoiar nosso filho.
Como? Ele vai me ouvir! Teve até que mudar de apartamento, agora com mulher grávida a despesa aumentou.
Diga-me uma coisa: o que você vai falar, vai mudar o que já aconteceu?
Claro que não!
Se não vai mudar, então encare os fatos e vamos ver como resolver Felinto abaixa a cabeça e Dona Carlota continua: O que você vai falar, vai fazer nosso neto deixar de existir?
Não vai. Mas como este menino vai se sustentar e sustentar uma família?
Você sabe como, não é?
Sei! Do nosso bolso.
Que é do bolso dele também. Afinal Vicentinho é nosso único filho. Nós o amamos e amaremos a família que ele está construindo.
Vicentinho então decide enfrentar o pai, chega à sala com uma camisa para a criança do time que Seu Felinto torce e entrega para ele.
Vocês já sabem não é?! Teremos um campeão e torcedor do Flamengo.
É um menino! Dona Carlota diz emocionada.
Sim, mamãe! E se chamará Pedro como meu avô paterno.
Enquanto isso Seu Felinto escuta, segura a camisa que o filho trouxe e diz:
Vou ter que cuidar deste menino, para ele não seguir o caminho do pai...
Felinto! – Dona Carlota o repreende.
Estou falando de futebol, mulher! Esse menino não vai ser um torcedor tricolor como o pai. Vai ser é rubro-negro.
Vou deixar o senhor guiá-lo quando o assunto for futebol diz Vicentinho.
Seu Felinto, de coração amolecido, abraça o filho e lhe dá um puxão de orelha:
Isto é para você aprender que não se omite uma coisa desta para os pais.
Ai! – Vicentinho geme por um momento, ri e abraça o pai de novo. Este é meu pai Dona Carlota aproveita e abraça os dois.
Senta aqui do meu lado. O que foi que você fez? Você tem noção de como será sua vida agora?
Sei, pai.
De agora em diante, você não é mais o primeiro em suas prioridades. Vicentinho, a prioridade é seu filho.
Eu sei, papai.
E como você vai se sustentar?
O dono do escritório em que eu estou estagiando já disse que vai me contratar. A Sofia, depois que nosso filho nascer, vai procurar trabalho também.
Você se lembra dos meus conselhos?
Sim, papai. Que eu deveria primeiro ter estabilidade financeira para depois construir uma família. Mas aconteceu!
Era este o conselho, mas agora esqueça. Eu tenho que te dar outro: cuide bem da família que você escolheu. Você é jovem, meu filho, e se um dia você se arrepender do que está fazendo agora, lembre-se que filho é para sempre. Você pode ter ex-mulher, mas um filho sempre será sua responsabilidade.
Eu estou aqui na cozinha, mas estou ouvindo, Seu Felinto diz Sofia que preparava um suco para levar para os futuros sogros.
Mas não escute, não, minha filha. Isto aqui é coisa de homem.
Dona Carlota sorri e diz:
Eu também estou aqui, viu! Seu Felinto! Cuidado com as palavras, olha que você pode dormir no sofá hoje e ainda levar o filho junto.
Vicentinho e Sofia, que já estava encostada na parede que dividia a sala da cozinha, sorriem, e Seu Felinto diz:
Vicentinho, vamos comigo comprar pão nessa padaria da frente.
Vamos, papai! Vicentinho concorda, segurando o riso.
Seu Felinto, cuidado com os conselhos que o senhor dá para meu namorado! Ela vai até a cozinha pegar o suco.
Namorado? Meu filho, vamos resolver sobre o casamento. Meu neto tem que ter uma família direita – diz Dona Carlota.
Tomem o suco antes de sair Sofia traz o suco, e eles tomam.
Pai e filho saem e passam um tempo conversando. Depois voltam com pães e bolos. Os pais de Vicentinho passam uma semana na cidade e depois voltam para a fazenda.
Pouco tempo depois que chegam recebem a notícia de que o neto nasceu. Eles vão para a cidade e ficam um tempo com o neto. Os dois ficam encantados com o menino. Nos primeiros meses do nascimento do filho, Vicentinho decide deixar Sofia com a mãe na fazenda.
Certa noite, próximo à fazenda, no vilarejo de pescadores, havia alguns rapazes se divertindo e bebendo. Decidiram parar de beber e pegar a estrada de volta para a cidade. Seu Felinto retornava com as compras para a fazenda e parou para comprar umas pamonhas que Dona Carlota apreciava. Quando ele voltou para o carro, os rapazes que vinham na direção contrária perderam o controle do carro e se chocaram de frente com o carro de Seu Felinto que ainda estava parado. Seu Felinto faleceu no local e os rapazes fugiram no carro. Ninguém foi preso pelo crime, pois os rapazes estavam de passagem e depois da fuga ninguém sabia de onde eles eram e quem eram.
Uma irmã de Dona Carlota foi morar por um tempo com ela, já que deixar a fazenda, para ela, era acabar com o sonho de seu amado.





2 comentários:

  1. Nossa, amei <3
    Parabéns pelo blog, já estou seguindo para poder acompanhar as novidades

    www.papomoleca.com.br

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    1. Obrigada por deixar seu carinho aqui! bjs

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